Grupo de poetas da cidade de Duque de Caxias. O corpo compulsor é formado por Ricardo Villa Verde, Gordack e Tubarão; que lançam sempre no final de cada mês uma publicação de seus poemas. O folheto possui um teor variado como contemporaneidade, marginalidade, lisergia, underground, passionalismo e tantos outros de "funder" a cuca.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
É fugir do perigo
É desafio
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Dá um tapa na poeira que outrora
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Materializando-se
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Gordack, Sara Mazuco e Ricardo Villa Verde
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009

Vadinho
Em minha espada trago
As maduras displicentes.
Já nos arquivos o estrago
Das casadas inocentes.
Em ruas escuras,
Nuas e esquecidas
A alcova do rijo prometido.
Nos bares, sou um cavalheiro
Que aprecia um sorriso contido
Induzindo- as como um forasteiro
Às várias viagens do sentido.
Revelo no beijo forte as tapas empíricas,
E no rastro as migalhas,
São sempre recolhidas.
Dezenas de reses em boca aberta
Sonham com uma boa acolhida
Sorvo-lhes do eu, na lembrança
Das muitas esquecidas
Umas vozes de ódio visceral
Condecoram meu peito,
Já tantas outras me gritam;
-Ai safado cê num tem jeito.
Gordack
sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A Cervical vibrava
segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Deixe-o no seu próprio caminho
Os raios do desafeto de Ícaro invadiram as janelas da alma e ele voltou do paraíso de Morfeu, purificou-se nos fluidos de Mãe Iara e saboreou o amargo e o doce do companheiro matutino.
Munido da armadura habitual transportou-se para o campo de batalha, dentre os reflexos do caminho já não via Narcisos nem Helenas.
Em seu tributo diário ao Marte sua batalha era contra Chronos.
Desejava em todo o momento o negro do luar para ter com Baco e Eros os prazeres sibaritas do humano caminho.
Dentro de um círculo contínuo os Deuses faziam morada em sua vida.
Não era justo demolir as estruturas dos pilares do cancioneiro arcadista.
Fazia-se fundamental a continuidade romântica da pesada jornada Épicaverdeamarelísma, pois contrário a isso o concreto modernista transformaria o seu realismo, e ele perderia os símbolos.
Acabaria O canto do galo, perderia o caminho para São Saurê, O bagaço de cana do engenho já não acalmaria o pranto e até O Diabo de Diadorim seria singular.
Retornar ao barro do barroco, ter a transpiração acima da inspiração, ser visto como um algum que deseja o impressionar, é demais para um filho condenado ao labor da Morte e Vida. Deixe-o feliz, isso só durará enquanto eterno for.
Gordack
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Entre o silêncio de teus lábios
E o desejo do meu coração
Entre o teu olhar alheio
E as memórias da minha alma
Entre erros e verdades
Palavras costuradas por amor
Entre tudo o que foi
E o que hoje não é mais
Entre todo o sonho
E a dor presente
Entre tudo que agora
Poderia ser
Meu coração
A porta aberta
Entre...
Tubarão.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Minha lágrima sobre o vidro da mesa
Bola de cristal que o dedo interrompe
Gerando a inicial de seu nome
Ferindo-me, na certeza cada vez mais nítida
De que o balé de nossas mãos dadas
Era o caminho certo da paz em nossos sonhos
Conforme o tempo passa, sua falta pincela
Novas paisagens, onde quase não me vejo mais
Tanta palavra morta antes de chegar à boca...
Sentimentos que não consumiram a ponta do lápis
Rasuraste as mais belas linhas que nossos olhares comporam
Nossa cumplicidade foi um arcoíris
Espalhando sua imagem em minhas manhãs
Multiplicando seu sorriso encantado
Estampado em minha retina e correndo livre em meu âmago
No fundo, sinto falta das nossas estrofes de métrica perfeita
Que o brilho do seu olhar aprovava
Dizendo-me que palavras eram só partículas no papel
E que nossa luz é que escrevia o poema
Os versos estão ficando mais calmos
Não há culpa, na nobre insanidade do amor
Mesmo sangrando, te perdoei.
Ricardo Villa Verde
quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Vinil:
O ultimo resquício do romantismo
O que devo aceitar como certo
É o desejo da verdade inegável,
É uma cura impossível em um corpo morto,
É o saborear uma vontade impalpável.
Alegrias é provável de se ter.
Agonias é fato conhecer.
Discuto o puro invisível cotidiano
Dentro dos cefálios Hermanos.
Poderei sair das artérias?
Conseguirei invadir as flores?
Maturar-me-ei tentando respirar?
Das ciganas quero distância;
Dos bruxos desejo conselhos;
Dos amores espero constância;
Dos temores, que fiquem no espelho.
O ouro e a prata de hoje
É o zinco no telhado.
A carne virou grão
E o vinho já se sabe.
Bonança não demore
Tempestade lhe aguarda.
Gordack
segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Essência cicatrizada
Atraversando palavras dopadas
Neuróticos neurônios
Nas esquinas sinônimos
Daquilo que te aguarda
Nuvem plutônica
Tingindo de branco o lençol
Radiografias de uma alma bemol
Aonde, antes de lá
Existia apenas um sol
Olhando somente pra si
Pisando em nuvens, sem dó
No heliocentrismo
De querer ser um só.
Ricardo Villa Verde
domingo, 30 de agosto de 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Pueril
Foi-se o tempo e eu não te encontrei
No meu único compromisso fugir é
A hipótese sem sentido
Porem na tez da sua irís hesitei
Seu jeito cristalino e sensual
Transbordam de odores mágicos
Rogo por um encontro casual
No paralisar dos ponteiros trágicos
Ao conseguir escalar a cordilheira
Ambiciosamente livre estarei
E ao seu agrado escravo serei
Provarei sua saliva feiticeira
Aveludar-me-ei nos poros do teu colo
E inspirarei o suspiro da tua resistência
Um simples e inofensivo segredo juvenil
É o passaporte para um passeio lúdico
Dentro de um paraíso que consideras único
Contemplando o seu prazer aprendo
A ser mais você
Aprendo a ser mais amor.
Gordack.
domingo, 23 de agosto de 2009

De toda aquela saudade
segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O mais nobre de todos
Quando ele chegou
Não imaginava sua existência
Cá dentro havia uma resistência
E de surpresa me pegou
Muitos me falaram com clareza
Das mudanças com sua chegada
E das almas que foram transformadas
Ter-lhe era necessário, essa é a certeza
Será que era perigoso
Viver esse modificador
Que até então achava jocoso
Acredito que sou pecador
Por resistir a sentimento tão gostoso
Que no mínimo é inovador
Gordack

Tu só tu
Há momentos que quero te esquecer
Há momentos que quero te odiar
Há momentos que quero te deixar
E também
Há momentos que quero te amar
Há momentos que quero te idolatrar
Há momentos que quero te cativar
Da mistura de sentimentos
Percebo que a razão
É querer que você seja igual
Ao o que eu desejo,
Mas se fosse ai já não
Seria mais você
E a idéia de ter outra pessoa
Eu não suporto
Desta forma eu te aceito
Gordack
sábado, 15 de agosto de 2009

Ricardo Villa Verde
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
sexta-feira, 31 de julho de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Lindo vestido azul
Lindo vestido, sei lá
Você se aproximou muito
Empunhando sua guitarra em meio a platéia
Som alto demais pra nós dois
Um abraço apertado
Flashes mais claros que a cor do papel
Onde tu ainda insistes em me olhar
Com um sorriso dopado
Sua imagem dentro de um álbum
E o que restou de você
Hoje, tão perdida dentro de si
Cai no lugar comum
Ricardo Villa Verde

Tristeza e sorrisos

A faísca do Comuna
Navegando para a ilha encontramos
Uma pequena garrafa mensageira
E ao tirar a rolha nos deparamos
Com agulha de bússola verdadeira
LIBERDADE ME TRANSBORDA E ME FASCINA
SANGUE E SUOR SÃO AS MARCAS DESTA SINA
O MILAGRE E A ÁGUA EU COMPARTILHO
TENHO O FEIJÃO E UM AMIGO O MILHO
FLERTO COM O SOL E NAMORO A CHUVA
NAS PISADAS, RIMOS DO DESTINO DA UVA
MARTELO CRIA AÇO E FOICE TRAZ O PÃO
COM AMOR DIÁRIO E IGUALDADE ENTRE IRMÃOS
Obrigado companheiro Comuna
Seguiremos avante
Até ancorarmos nela...
A minha
A nossa
A sua.
Gordack
terça-feira, 28 de julho de 2009
sábado, 25 de julho de 2009

O ADEUS DE UM COMUNA.
Mataram-me em poucos instantes
Meu crime foi o pior de todos
Ser eu mesmo para mim próprio
Descobri a realidade que escondiam
Salvei-me a tempo
Divulguei minha visão
Opinei em todas as direções
Mas, em alguns momentos
Os riscos na mente afloraram
Não recuei da trincheira cavada
Manifestei a luz
-Duvidem de tudo, descubram o velado, olhem em todos os ângulos, crie seus conceitos, o bastante par...
Ouço o barulho do cadafalso se abrindo
Só sinto uma pressão na cabeça...
...Cortaram-me as flores do funeral
Economizaram na cal...
...mas que tipo de madeira é essa?
Ninguém veio na despedida
Sou muito mais culpado
Do que eu imaginava
Tudo rola na memória
E agora sou um traidor morto
Das verdades absolutas
E um herói vivo
Das mentiras rasas
Porém, meu legado já brota em alguns...
Gordack
quinta-feira, 23 de julho de 2009

Fatum
No momento que se é brotado,
já se sabe do encontro inevitável.
O quando acontecer é a dúvida.
Espero encontrá-la com vivência suficiente
para ofertar um belo jantar à luz de velas.
E demonstrar todo o respeito que a experiência dos idos me ensinou.
Vou vestir minha melhor roupa.
E não esquecerei as duas moedas, úteis para a travessia.
Agarrado em seu vestido de cetim olharei apenas para frente.
Aos que não me testemunharem mais, deixarei o legado.
Enquanto não sinto o seu doce beijo amargo
Lavo-me com os prazeres que aqui encontro.
Gordack
sábado, 18 de julho de 2009

A letra se torna repetitiva
Para o poema
A letra se torna o dilema
A frase mais curta
Não se encaixa
A palavra certa
Quase não se acha
Objetivo quebrado
Dentro da construção
Quebrado ou não
Faz da poesia
Barraco ou Mansão
Miséria e Ilusão
Banquete ou prato vazio
Na mesa e na memória do irmão
Popular ou banal
Místico, mágico ou surreal
Socializando, na ideologia seguida
A mão estendida nos versos
Salvando mais uma alma
Ricardo Villa Verde
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Culpa?!?!?!
O sangue já lhe escorria a face, e a respiração era ofegante e complicada: nariz quebrado. Perdera dois incisivos, o celular e a esperança. Acuado na lixeira desesperou-se ao ver o combustível chegando, seria vítima da contemporânea inquisição da comunidade. Entre o choro compulsivo e os gritos de piedade conseguia-se ouvir os murmúrios de uma oração. Senhoras de idade avançada não agüentavam observar um fim de vida tão cruel e tão aclamado pelos jovens, que assistiam eufóricos ao castigo. Os olhos abertos e vidrados das crianças mesclavam em direções opostas, de um lado o algoz apoiado e incentivado por uma mulher em período de gestação avançada e que trazia em seu colo uma pequena criança sem roupa, e do outro lado o futuro cadáver. Um homem deselegantemente trajado com terno e gravata levanta um bíblia e pula para o meio do palco chamando a atenção de todos os espectadores, ajoelha-se e grita.
-Sangue de Jesus tem poder! Jesus, segura a mão desse irmão!
Talvez a salvação tenha chegado por intermédio da prece do moribundo ou da presença do sagrado papiro ou ainda do puro azar do homicida. Sirenes e luzes, tiros para o alto, correria total. Salvo por um telefonema. Sujo de gasolina, sangue e lágrimas o elemento é amparado pelos homens da lei.
Passaram-se dias e dias e dias. Já tinha outra vida e essa era a nova ordem. Era um novo homem, freqüentador assíduo da igreja do seu novo bairro em sua nova cidade, casado um uma mulher do lar, tinha agora um enteado, um filho na barriga, e o que julgava mais importante a libertação do álcool. Trabalhador padrão do mercadinho local era querido pelos clientes e pelo patrão. Politicamente correto nas opiniões colocadas diante de enquetes dúbias, ponderado, educado, responsável, sociável e um bom chefe de família. As prazerosas chuteiras há tempos estavam penduradas, mas não deixava de levar o enteado no campinho de futebol aos domingos, o sonho do garoto era ser goleiro.
Ao voltar da igreja com a família naquela noite tudo era cotidiano e feliz, mas esta harmonia não demoraria. Ao virar uma esquina encontrou o Capeta, sim o Capeta, mais precisamente Pedrinho Capeta. A mulher e a criança não compreenderam a reação do acompanhante. Ele parou de falar e tremeu curvando-se para a direita como se uma agulha quente lhe fosse enfiada na espinha, mudo suou frio, e esbugalhou os olhos, seu pulmão parou e não conseguiu engolir a saliva. Essas reações duraram apenas dois segundos, tempo necessário para o seu antigo algoz sacar a arma da cintura e disparar quatro tiros de revolver no rosto de Batista. A mulher gritou como quem quer expulsar a alma pela boca, enquanto o corpo caía e o sangue voava. O assassino correu e ouviu-se o cantar dos pneus. A mulher continuava a gritar com as duas mãos na cabeça, segurando com força os cabelos, um pouco acima das orelhas, e o menino debruçado sobre o corpo sem vida berrava chorando.
-Paaai...Paaai...num morre não...Paaai!
Após horas Pedrinho Capeta chega a sua humilde morada. Sua anosa mãe o aguarda acordada, junto com os outros familiares. A carismática senhora lhe indaga. E o bom filho responde.
-Foi pro inferno mainha.
A matriarca cerra os punhos, levanta os braços para o alto, fecha os olhos e dispara.
-Graças a Deus!Graças a Deus! Muito obrigada meu filho.
Toda a família se abraça e chora de alegria. Agora todos eles já poderiam dormir em paz. Finalmente foi vingada a doce menina de puros dez anos de idade, sobrinha de Capeta, que fora estuprada e morta por Batista.
Gordack
quarta-feira, 15 de julho de 2009
desafinada
segunda-feira, 13 de julho de 2009

É fácil.
Jogar tudo para o alto é uma boa saída
Ficar preso é deixar a vida morta
Quem julgará o errado, a trilha torta
Você ou outro: qual a alma que está partida?
Sem coragem pegue o pulso, a faca, e corta
Mas existe solução até para essa fadiga
Grite alto a dor e coloque as contas na mesa
Não vivo sem, mas não sou escravo, muito menos uma presa
Haaa que beleza,
Amanheceu, estou feliz de novo
Nem mesmo o amor se tronará estorvo,
Estou arrebentando a casca do ovo
E agora me pergunto,
Rindo, rindo e rindo
Por qual motivo de tanto tempo juntos?
Gordack
sábado, 11 de julho de 2009
Ricardo Villa Verde